segunda-feira, 27 de março de 2023

É mais fácil parar de fumar do que parar de fazer arte


Quem contempla a cidade com atenção sempre compreende um novo detalhe: desde a simetria dos telhados até as texturas do calçamento, passando por ornamentos enferrujados na fachada do casarão, ou até mesmo a parede lisa, tudo se torna assunto, obstáculo ou suporte. A cidade é uma obra de arte complexa e particular.

O artista que procura inspiração na cidade, uma vez fisgado pela sua exuberância, submete-se a sua profusão de possibilidades. Passa a esfregar-se sobre o mobiliário urbano a procura de um novo ponto em que possa executar sua expressão. Vivendo nessa simbiose prazerosa e incontrolável, em alguns casos, artistas que encontrar barreiras (financeira, doentia ou da lei) para fazer a sua arte, tendem a se aproximar à margem do desespero e da loucura.

Foi com esse imaginário que fui ver os trabalhos apresentados pelo Aloízio Xator no Mucha Arte, vernissage que redecorou as paredes do restaurante Madre Mia, em Pelotas. Os trabalhos do Xator são construídos com a vivência das ruas, e num desses rolês, ele descrevendo como se sentia, disse: “É mais fácil parar de fumar do que parar de fazer arte”.



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