Quem contempla a cidade com atenção sempre compreende um novo
detalhe: desde a simetria dos telhados até as texturas do calçamento, passando
por ornamentos enferrujados na fachada do casarão, ou até mesmo a parede lisa, tudo
se torna assunto, obstáculo ou suporte. A cidade é uma obra de arte complexa e
particular.
O artista que procura inspiração na cidade, uma vez fisgado
pela sua exuberância, submete-se a sua profusão de possibilidades. Passa a esfregar-se
sobre o mobiliário urbano a procura de um novo ponto em que possa executar sua
expressão. Vivendo nessa simbiose prazerosa e incontrolável, em alguns casos, artistas
que encontrar barreiras (financeira, doentia ou da lei) para fazer a sua arte, tendem
a se aproximar à margem do desespero e da loucura.
Foi com esse imaginário que fui ver os trabalhos apresentados pelo Aloízio Xator no Mucha Arte, vernissage que redecorou as paredes do restaurante Madre Mia, em Pelotas. Os trabalhos do Xator são construídos com a vivência das ruas, e num desses rolês, ele descrevendo como se sentia, disse: “É mais fácil parar de fumar do que parar de fazer arte”.
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